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Tongue of the Hidden - um belíssimo poema visual de Hafez

O poeta persa Hafez de Shiraz utilizava a linguagem do amor humano e metáforas do vinho e da embriaguez para descrever seu desejo pelo Divino e a intoxicação pelos mistérios do Universo.

As caligrafias e personagens desta animação em 3D são todos baseados no livro "Ten Poems of Hafez" da artista e calígrafa anglo-iraniana Jilla Peacock. 

UK / 2007 / 5mins / dir. David Alexander Anderson. Caligrafia, tradução e narração: Jila Peacock 



(Pesquisa de Janaina Elias)

SAMA - Rumi - O Poeta Embriagado de Deus

Viemos girando
do nada,
espalhando estrelas como pó.
As estrelas puseram-se em círculo
e nós no centro dançamos com elas.
Como a pedra do moinho,
em torno de Deus
gira a roda do céu.
Segura um raio dessa roda
e terás a mão decepada.
Girando e girando
essa roda dissolve
todo e qualquer apego.
Não estivesse apaixonada,
ela mesma gritaria - basta!
Até quando há de seguir esse giro?
Cada átomo gira desnorteado,
mendigos circulam entre as mesas,
cães rondam um pedaço de carne,
o amante gira em torno
do seu próprio coração.
Envergonhado ante tanta beleza
giro ao redor da minha vergonha.
................................................
Ouve a música do samá.
Vem unir-te ao som dos tambores!
Aqui celebramos:
somos todos Al-Hallaj dizendo: “Eu sou a Verdade!”
Em êxtase estamos.
Embriagados sim, mas de um vinho
que não se colhe na videira;
O que quer que pensem de nós
em nada parecerá com o que somos.
Giramos e giramos em êxtase.
Esta é a noite do sama
Há luz agora.
- Luz ! Luz!
Eis o amor verdadeiro
que diz a mente: adeus.
Este é o dia do adeus.
- Adeus ! Adeus !
Todo coração que arde
nesta noite
é amigo da música.
Ardendo por teus lábios
meu coração
transborda de minha boca.
Silêncio!
És feito de pensamento, afeto e paixão.
O que resta é nada
além de carne e ossos.
Por que nos falam
de templos de oração,
de atos piedosos?
Somos o caçador e a caça, Outono e primavera,
Noite e dia,
O Visível e o Invisível.
Somos o tesouro do espírito.
Somos a alma do mundo,
livres do peso que vergasta o corpo.
Prisioneiros não somos
do tempo nem do espaço
nem mesmo da terra que pisamos.
No amor fomos gerados.
No amor nascemos

Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī, poeta, jurista e teólogo muçulmano persa do século XIII, fundador da ordem dos dervixes Mevlana (ou rodopiantes).


Fonte: http://www.nasrudin.com.br/



(Pesquisa de Maria Nilda)

Nasrudin e os tigres

Mullah Nasrudin, personagem de histórias da tradição sufi. 
O mullah Nasrudin é ao mesmo tempo um tolo e um homem sábio. Certo dia, ele estava em seu jardim jogando migalhas de pão em torno dos canteiros de flores. Um vizinho que passava por perto parou e perguntou:
- Mullah, por que você está fazendo isso?
- Ah, eu faço isso para manter os tigres afastados - explicou Nasrudin.
- Mas não há tigre algum por perto. Os tigres não habitam esta região.
- Eficaz, não é? - concluiu Nasrudin.

(Pesquisa de Maria Nilda)
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