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"À Minha Mãe" (Mahmoud Darwish)



Desejo o pão da minha mãe
O café da minha mãe
O seu toque
As memórias da infância crescem em mim
Dia após dia
Eu devo valer a minha vida
Na hora da minha morte
Devo valer as lágrimas da minha mãe.

E se eu voltar um dia
Leva-me como um véu nas tuas pálpebras
Cobre-me os ossos com relva
Abençoada pelos teus passos
Prende-nos um ao outro
Com um caracol do teu cabelo.

Com um fio da bainha da parte de trás do teu vestido
Eu sou capaz de me tornar imortal
Transformar-me em deus
Se tocar nas profundezas do teu coração.

Se eu voltar
Usa-me como madeira para alimentar o teu fogo
Como a corda da roupa no telhado da tua casa
Sem a tua benção
Sou demasiado fraco para estar de pé
Sou demasiado velho.

Devolve-me os mapas das estrelas da infância
Para que eu
Com as andorinhas
Possa desenhar o caminho
De volta para o teu ninho à minha espera.

Mahmoud Darwish, 1970
(Tradução de Eric Lobo)

"As mil e uma noites" de Pier Paolo Pasolini

Assista aos comentários do crítico Marcelo Janot sobre o filme As Mil e uma Noites, a releitura de um clássico da literatura através do cineasta Pier Paolo Pasolini.





(Pesquisa de Maria Nilda)

A Música segundo o poeta do amor


Meus amigos: a Música é a linguagem dos espíritos. Sua melodia é como uma brisa saltitante que faz nossas cordas estremecerem de amor. Quando os dedos suaves da música tocam à porta de nossos sentimentos, acordam lembranças que há muito jaziam escondidas nas profundezas do Passado. Os acordes tristes da Música trazem-nos dolorosas recordações; e seus acordes suaves nos trazem alegres lembranças. A sonoridade de suas cordas faz-nos chorar à partida de um ente querido ou nos faz sorrir diante da paz que Deus nos concedeu.

Gibran Khalil Gibran (
1883 - 1931)

(Pesquisa de Janaina Elias)

Tongue of the Hidden - um belíssimo poema visual de Hafez

O poeta persa Hafez de Shiraz utilizava a linguagem do amor humano e metáforas do vinho e da embriaguez para descrever seu desejo pelo Divino e a intoxicação pelos mistérios do Universo.

As caligrafias e personagens desta animação em 3D são todos baseados no livro "Ten Poems of Hafez" da artista e calígrafa anglo-iraniana Jilla Peacock. 

UK / 2007 / 5mins / dir. David Alexander Anderson. Caligrafia, tradução e narração: Jila Peacock 



(Pesquisa de Janaina Elias)

SAMA - Rumi - O Poeta Embriagado de Deus

Viemos girando
do nada,
espalhando estrelas como pó.
As estrelas puseram-se em círculo
e nós no centro dançamos com elas.
Como a pedra do moinho,
em torno de Deus
gira a roda do céu.
Segura um raio dessa roda
e terás a mão decepada.
Girando e girando
essa roda dissolve
todo e qualquer apego.
Não estivesse apaixonada,
ela mesma gritaria - basta!
Até quando há de seguir esse giro?
Cada átomo gira desnorteado,
mendigos circulam entre as mesas,
cães rondam um pedaço de carne,
o amante gira em torno
do seu próprio coração.
Envergonhado ante tanta beleza
giro ao redor da minha vergonha.
................................................
Ouve a música do samá.
Vem unir-te ao som dos tambores!
Aqui celebramos:
somos todos Al-Hallaj dizendo: “Eu sou a Verdade!”
Em êxtase estamos.
Embriagados sim, mas de um vinho
que não se colhe na videira;
O que quer que pensem de nós
em nada parecerá com o que somos.
Giramos e giramos em êxtase.
Esta é a noite do sama
Há luz agora.
- Luz ! Luz!
Eis o amor verdadeiro
que diz a mente: adeus.
Este é o dia do adeus.
- Adeus ! Adeus !
Todo coração que arde
nesta noite
é amigo da música.
Ardendo por teus lábios
meu coração
transborda de minha boca.
Silêncio!
És feito de pensamento, afeto e paixão.
O que resta é nada
além de carne e ossos.
Por que nos falam
de templos de oração,
de atos piedosos?
Somos o caçador e a caça, Outono e primavera,
Noite e dia,
O Visível e o Invisível.
Somos o tesouro do espírito.
Somos a alma do mundo,
livres do peso que vergasta o corpo.
Prisioneiros não somos
do tempo nem do espaço
nem mesmo da terra que pisamos.
No amor fomos gerados.
No amor nascemos

Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī, poeta, jurista e teólogo muçulmano persa do século XIII, fundador da ordem dos dervixes Mevlana (ou rodopiantes).


Fonte: http://www.nasrudin.com.br/



(Pesquisa de Maria Nilda)

Nasrudin e os tigres

Mullah Nasrudin, personagem de histórias da tradição sufi. 
O mullah Nasrudin é ao mesmo tempo um tolo e um homem sábio. Certo dia, ele estava em seu jardim jogando migalhas de pão em torno dos canteiros de flores. Um vizinho que passava por perto parou e perguntou:
- Mullah, por que você está fazendo isso?
- Ah, eu faço isso para manter os tigres afastados - explicou Nasrudin.
- Mas não há tigre algum por perto. Os tigres não habitam esta região.
- Eficaz, não é? - concluiu Nasrudin.

(Pesquisa de Maria Nilda)

Livro: Música árabe - Expressividade e sutileza - Márcia Dib, publicado pelas Edições BibliASPA

Capa do Livro: Música árabe - Expressividade e sutileza - Márcia Dib, publicado pelas Edições BibliASPA








A música influencia o corpo e a mente e, no passado, era estudada junto com outras ciências. Diferentemente de nós, os árabes não vêem o tempo como uma linha reta, mas de forma circular.
Com linguagem acessível, a obra é voltada para todos os que querem saber algo sobre a teoria e a história da música árabe.
A publicação é dividida em cinco capítulos. No primeiro, “Origem, influências e tratados”, relata os caminhos que a música árabe percorreu, aspectos teóricos e filosóficos da música. O segundo, “O conceito de tempo e a transformação axial da visão de mundo”, aborda as diferenças de tempo.
No terceiro, “A concepção de mundo influencia a composição, execução e o aprendizado”, a autora fala da importância da memória, da transmissão oral da música, que não era escrita, pois não havia as partituras. As características melódicas e rítmicas abordam a definição da música árabe, da formação das notas e escadas, que são diferentes das usadas na música ocidental.
O último capítulo, A doutrina do Ethos ou Ta’thir, é uma analogia entre a música e as outras ciências. “

Edições BibliASPA – Rua Baronesa de Itu, 639 – (011) 3661 0904 – bibliaspa@gmail.com
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